27 out

À família e aos amigos que ainda acompanham este blog, passo para um rápido lembrete e pedido de desculpas. O Cissa em Cinga ficou mesmo no escanteio depois que a série “A Culpa é do Fuso” começou. São muitas horas de pesquisa, edição, gravação, pra dar conta de atualizar esse blog.
Mas eu nunca parei de escrever, viu?, e mantive meus blocos de anotação atualizados, lindos e coloridos, logo ainda tenho muita história pra contar. Então, resolvi criar um espaço para elas lá no site do “A Culpa é do Fuso”, tal qual esse blog aqui, mas com uma temática um pouco mais focada e um tantinho menos pessoal. Muita coisa nova e muita coisa véia também que vocês já leram por aqui. Afinal, conteúdo é conteúdo, né?! O arroz de hoje faz o bolinho de amanhã… rsrsrs!

Então, caso queiram notícias do mundo de cá atualizadas, acompanhem AQUI neste link.

E aproveito o momento venda do peixe para dizer que a segunda temporada da série está a todo vapor! Hoje mesmo saiu um novo episódio: AQUI! Vocês estão acompanhando? Não? Corre lá então!!! E me digam o que estão achando! Quero tornar esse site um espaço de encontros, conexão e troca de experiências!

Vejo vocês por lá (e aí no Brasil em breve, heim?!)

A saga continua…

7 fev

Família e amigos que ainda não seguem a minha websérie “A Culpa é do Fuso”, vou sempre mantê-los atualizados sobre os novos episódios!

Depois de uma semana de sumiço – estávamos curtindo a chegada do Ano Novo Chinês em Chiang Mai, na Tailândia – finalmente o terceiro episódio já está “no ar”. Dessa vez eu conto um pouco como é o festival hindú Thaipusam, que acontece anualmente aqui em Cingapura. Eu já escrevi sobre ele aqui no blog lembram? Tá nesse link AQUI. Agora o post virou um episódio forte e emocionante!

Assistam no site da série: http://www.aculpaedofuso.com!

Ah, e os mais conectados podem acompanhar a série no instagram e no facebook! Sigam, curtam e compartilhem!

 

 

Episódio 2: Yangon

25 jan

E aí, amigos?! Já viram o segundo episódio da série?? É sobre a nossa viagem pro Myanmar da qual eu falei tanto por aqui. Agora vocês podem ver com os próprios olhos um pouquinho dessa aventura!

Ah, prometo aparecer em breve com novos posts e fotos! ;)

Até lá!

O que me roubou o tempo e o pensamento

17 jan

Oi família, oi amigos! Então…… Eu avisei que ficaria sumida e expliquei que havia bons motivos. Eis aqui então minha grande desculpa, minha melhor desculpa eu diria.

A culpa é do fuso. Na verdade, a culpa é dA Culpa é do Fuso. Isso mesmo! Esse é o nome do projeto que roubou meu tempo e o meu pensamento nos últimos meses. Uma web serie criada a partir dos registros das nossas viagens e experiências pela Ásia. Como a produção é enxuta e independente, euzinha aqui encaro a fotógrafa, roteirista, editora, finalizadora, apresentadora e duvilgadora do trabalho. É muita ralação, mas nunca me propus a um trabalho que me desse tanto prazer e retorno.

Então, sejam pacientes que os textos vão continuar pingando de vez em nunca por aqui, pelo menos pelas próximas semanas… Por enquanto, porque vocês não aproveitam para curtir a série, heim, heim? Garanto que vocês vão se divertir, apesar de já terem visto muita coisa aqui no blog. (Aliás, como meu perfil do vimeo agora é exclusivo do projeto, os videos que eu já havia postado aqui estão todos “escondidos”. Mas não se preocupem, se quiserem rever algum, basta acessar com a senha “cissaemcinga” e tchanammm!! Fácil, né?)

Os episódios da série ficarão disponíveis no site http://www.aculpaedofuso.com. Por enquanto tem um teaser de lançamento e o primeiro episódio já está no ar! Como eu sou boazinha, o link taquió:

O tempo também passa rápido do outro lado do mundo

12 nov

Eu sei, eu sei, eu sei! Não precisam me dizer, que eu sei.

Ando sumida pra burro. Filha desalmada, amiga relapsa, blogueira inconsistente. Tudo isso junto e muito mais. Posso me defender dizendo que foi por uma boa causa? E aí vocês me perdoam?

Primeiro chegaram as visitas do Brasil. Depois vieram as férias (e que férias!). Aí, as visitas aqui de novo e depois mais viagens (desculpem, é mais forte que eu)! Juro que escrevi coisas lindas sobre tudo o que eu vi e vivi no Camboja, as coisas malucas que eu fiz no Laos. Também escrevi sobre como é bom não fazer absolutamente nada em Bali. Foram linhas e mais linhas sobre a importância de cair no mundo e como viajar é parte do meu ser, da minha alma.

O problema é que não botei nem uma letra sequer no papel, ficou tudinho na minha cabeça. Por que ainda não inventaram uma maneira de escrever com o pensamento? Seria tão mais legítimo, mais sincero e tão mais fácil. Mas vai ver que o sofrimento de passar e repassar cada palavra pro papel – não vou dizer pro computador pra não perder o romantismo – seja inerente ao “esporte” e é justamente o trabalho suado que o torna tão especial.

Olha eu, vim aqui me desculpar e estou divagando sobre a arte de escrever. Mas faz parte da minha defesa, garanto! Me faltou tempo e cabeça pra sentar e expressar em palavras tudo o que senti nesse último mês de experiências tão diferentes, tão especiais. Quem sabe um dia eu divida essas lembranças com vocês. Ou quem sabe eu as guarde bem escondidinhas num cantinho especial do meu coração, só pra mim…

Mas deixo vocês com fotos, muitas fotos! E alguns pequenos causos só pra não desistirem de mim. Prometo que estou planejando minha volta com um projeto ainda mais divertido! Conto depois, senão estraga! Por enquanto, chega de viagens. Depois de tanto tempo fora, é hora de organizar a casa e as ideias. Vai que algum dia eu consigo?

No Camboja com o povo mais alegre simpático do mundo. Depois de tudo o que eu aprendi sobre a história recente do país, chega a ser difícil de entender…

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O nascer do sol em Angkor Wat é bem mais “Maracanã” e bem menos “Lara Croft” do que se imagina!

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Mas existem outros templos esquecidos pela massa dos turistas! É o caso do Beng Malea, ainda “perdido” na floresta a espera dos pesquisadores (foto acima).

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Ihhh, rolou um debate sério sobre quanto anos têm as árvores dos templos centenários de Siem Reap, como essa na foto. Algum chute?

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Luang Prabang  é uma cidadezinha protegida pela UNESCO e um retrato apaixonante do Laos!

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Lá a comida das feiras de rua são verdadeiramente apetitosas! E (dentro do possível) limpas!

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O “alms giving cerimony” é um ritual que acontece diariamente ao raiar do dia. Os monges percorrem as pequenas ruas de Luang Prabang recolhendo arroz e outros alimentos oferecidos pela população local, que os espera em silêncio ajoealhada na porta de casa. É uma forma dos monges demonstrarem humildade e a população, respeito e compaixão. Apesar dos esforços de manter a tradição, muitos turistas mal educados já começam a atrapalhar e descaracterizar o ritual. Fotografam os monges de perto, falam, não se ajoelham e se inserem na fila para entregar comida apenas para fazer uma foto e postar no insta. Uma vergonha. Nós acompanhamos do outro lado da rua e, nos pontos não dominados por esses insetos sem educação, é sublime e emocionante.

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Pé na lama e mão na massa! Assim foi o nosso dia aprendendo a plantar arroz em uma fazenda no Laos. 

Depois de muitas pesquisas, encontrei um lugar aceitável para interagir e ajudar os elefantes. Nada de andar o dia inteiro debaixo do sol para agradar turistas! Viemos aqui dar um banho refrescante e olha como eles curtiram! E o nosso dinheiro ainda ajuda o parque a manter esses gigantes que comem pra burro. Parece justo!

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Vientiane nem parece uma capital! Tão tranquila e silenciosa… Perfeita para um rolé de bike!

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Quem tiver disposição para driblar a horda de australianos e europeus consegue explorar a cultura e a religiosidade da ilha de Bali!

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Bali é isso: cores, rostos, sons, cheiros…

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…e bigodes! Muitos bigodes!

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E pra finalizar, os amigos queridos que dividiram tudo isso com a gente! Amigos do Rio explorando as cachoeiras do Laos e a brasileirada expat de Cingapura fazendo bagunça em Bali!

Simplificando…

27 set

Me interessei por fotografia nos tempos de faculdade quando me apossei da Pentax que meu irmão tinha jogado pra escanteio depois de mandar restaurá-la e usar meia dúzia de vezes. Me apaixonei pela bolsa velha cheirando a mofo que carregava aquela máquina pesada, alguns filtros e muita história. Foi ela que me acompanhou nas minhas primeiras aulas quando ainda se discutia os avanços e o futuro da fotografia digital. Assim como eu, todos os alunos da turma possuíam câmeras analógicas. O ano era 1999, meu primeiro na faculdade.

Passei um período brincando de montar e manusear minha própria câmera pinhole, desenvolvi projetos em slide, aprendi sobre velocidade, diafragma, ISO, enquadramento… Matei muita aula para passar a tarde enfurnada no laboratório fotográfico da “galerinha de desenho”, que era bem mais interessante do que o nosso, do curso de comunicação. Imagina se algum aspirante a publicitário ia perder tempo revelando e ampliando fotografias em preto e branco quando eles podiam gozar de um recém inaugurado laboratório de macintosh?! (Lembrem-se, estamos falando de 1999!)

O tempo passou e meu caso de amor com a fotografia seguiu como são os romances da juventude: hora intenso, hora ofuscado por alguma outra paixão fugaz. Mas entre idas e vindas, eu nunca o abandonei. Uma vez formada e atordoada com o mercado de trabalho me dei de presente um curso despretensioso pra dar aquela renovada no espírito. Mas o tempo havia passado e eu agora era a única na turma que ainda não tinha me rendido ao mundo digital. Enquanto o professor falava em “P”, “AV” e “TV”, eu seguia às voltas com o marcador do fotômetro que subia e descia no visor da minha velhinha.  Percebi que era hora de seguir em frente. Gastei meus últimos rolos de filme e guardei a Pentax na bolsa velha cheirando a mofo.

Nunca mais a vi, deve estar esquecida em algum armário na casa da minha mãe. Lá se foram mais de dez anos (voando), o mundo digital se apoderou de mim e de todos e a vida seguiu. Hoje tenho câmeras DSLR, GoPro, cartões de memória, tripés, lentes, filtros… E também ando investindo meu tempo mais em vídeos do que em fotografia, como vocês já devem ter percebido aqui pelo blog.

Porém, de alguns meses pra cá me rendi à modinha das câmeras lomos e experimentei de novo aquele velho e familiar gostinho da fotografia analógica. O resultado agora é bem mais experimental, claro, e de um rolo inteiro de filme muita coisa vai direto pro lixo. Mas muitas vezes é bom demais trocar toda a parafernália tecnológica por algumas câmeras de plástico colorido que não valem mais de 10 dólares (exceto a Diana e a Sardina, que por serem o objeto de desejo dos hipsters de plantão têm preço altamente inflacionado!).

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(A tal Diana Mini inflacionada. Cá entre nós?! Prefiro as toy cameras de 10 doletas!)

Aqui em Cingapura há pelo menos duas grandes lojas voltadas exclusivamente para lomografia. Câmeras para vender, para alugar, filmes que eu imaginava em extinção, acessórios, livros, workshops e vendedores xóvens e antenados.  Paredes cobertas de fotografias coloridas e estilizadas obtidas, muito provavelmente, entre tantas outras escuras, borradas e fora de foco. Mas tentativa e erro fazem parte da diversão. Quem não tem paciência que fique com seu iphone e filtros do Instagram!

Tudo isso para dizer que hoje não teremos vídeo, não senhor!  Teremos apenas algumas fotografias granuladas, com foco duvidoso, de cores saturadas e muito charme! E a quem se interessar, recomendo a brincadeira!

E uma lembrança de como tudo começou... no carnaval!!

E uma lembrança de como tudo começou… no carnaval!!

Nasceu!

20 set

No último dia 10 completamos nove meses vividos do outro lado do mundo. Meu período de gestação que chegou ao fim, apesar de puramente simbólico (calma, mãe!), não me livrou dos dias de ansiedade, de enjôos, dos momentos de alegria extrema e também de tristeza repentina. E como meus nove meses não terminaram nas dores do parto e eu não me vejo às voltas com fraldas e mamadeiras, tenho agora tempo de sobra para refletir sobre meus quase 250 dias longe de casa.

Levei nove meses para aprender que a saudade não dói nem é constante, mas vem de repente e forte quando menos se espera – e de preferência nos horários em que o fuso não permite nenhuma comunicação com o Brasil. Aliás, posso dizer que a grande surpresa foi descobrir que nosso maior inimigo é o fuso horário e não a distância.

Nesse período, aprendi que um email inesperado, curtinho e sincero pipocando na caixa de entrada do gmail tem muito mais valor do que aquele “sumiço” de algumas pessoas queridas. Precisei de muito menos que nove meses para desistir da ideia fofa de mandar cartinhas aos amigos – a fila no correio é insuportável em qualquer lugar do mundo! Deixei de lado. Cedi à tecnologia, ao smart phone, ao whatsapp, ao gtalk e a este blog. Não, ainda não criei um perfil no Instagram.

Esses nove meses também me proporcionaram um bem raríssimo pra mim até então: tempo. Aqui tive tempo para refletir, planejar, sonhar. Tempo para não fazer nada e tempo para fazer tudo. Tempo para descobrir o que quero da vida e tempo para mudar de ideia. Na redução drástica de interlocutores (trabalhar em casa é um silêncio de doer os ouvidos) passei a elaborar e a responder minhas próprias perguntas, uma terapia saudável na maioria das vezes e insustentável em outras. Há momentos em que é melhor trocar seus próprios botões por uma cerveja gelada e fim de papo. É assim em qualquer lugar do mundo…

Aqui também vivi os meus primeiros 250 dias sem empregada doméstica desde que saí da casa dos meus pais há sete anos. Não importava o quão magras as vacas andavam, esse era um “luxo” do qual eu nunca abria mão. Aqui eu decidi mudar. Uma mudança que me ensinou muito mais do que a lavar roupa. Ao cuidar da minha própria casa, aprendi como meu lar reflete meu estado de espírito e que para ter uma casa alegre e aconchegante é preciso estar, acima de tudo, de bem com a vida. Aprendi a importância de um marido que lava e passa suas próprias roupas, faz sozinho supermercado em plena segunda-feira e, no tempo dele, arruma a própria bagunça sem que eu precise me tornar a mala da relação. Aprendi a fazer quinoa, cuscus, lentilha, mas meu arroz continua empapado. Demorei nove meses para descobrir que a máquina de secar que estava arruinando minha lingerie e muito menos para desenvolver uma paixão arrebatadora pelo aspirador de pó.

Nove meses é tempo demais para se viver sem amigos e por mais difícil que pudesse parecer no começo aos poucos fomos formando nossa tchurménha longe de casa. Um chopp aqui, outro almoço ali e me peguei sorrindo na primeira vez em que me chamaram para um jantar de domingo “em família”. Cada um de um canto diferente, com uma história diferente, mas todos com a distância e a saudade de casa em comum. Aprendi que aqui estamos todos no mesmo barco e que os laços que vão se formando vão deixar saudades na hora de voltar pra casa! Mais ainda é cedo para pensar nisso, afinal chegamos apenas na metade do caminho…

Mas tem uma coisa que não me custou nem um dia para aprender:  entre tantos erros e acertos, dúvidas, inseguranças e uma enxurrada de aprendizados, essa experiência desvairada de viver do outro lado do mundo apenas deu certo (e vai continuar dando) porque  tenho do meu lado, sorrindo sempre, um companheiro, um parceiro, um porto seguro que só não é perfeito porque tem pé chato.

Lar, doce lar...

Lar, doce lar…

Tudo é relativo

5 set

Pra quem está completando nove meses sem usar uma calça jeans por conta do calor (e do home office, claro), dois dias de chuva quase ininterruptas já podem ser chamados de inverno. O ar condicionado ganhou uma folga e dá pra quase sentir uma brisa entrando pela janela. Ela é discreta, mas mesmo tímida deu uma trégua à estufa cingapuriana e me fez lembrar com saudade que existe temperaturas abaixo dos 30 graus!

Um ar fresco que chegou para refrescar e renovar nossa vida aqui… do outro lado do mundo…

Mas, ei! Posso confessar uma coisa?! Tô com saudade do SOL!! Voltaaaaaa……

 

Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã!

Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã!

O gostinho da saudade!

29 ago

Ontem comi minha primeira paçoca em oito meses. Me emocionei. Juro. Gostinho de casa, de festa junina, de escapada de dieta.  Gostinho de baleiro do colégio, de lanchinho da tarde no trabalho. Gostinho da saudade!

É bem provável que eu já tenha ficado mais de oito meses sem comer paçoca no Brasil sem nunca ter me comovido ao comer uma. Mas estamos há quase nove meses longe de casa e cada pequena coisa que aguça a nossa memória e aperta a nossa saudade começa a ter um sentido todo especial.

Cada vez que algum amigo daqui vai passar férias no Brasil lá vem a enxurrada de encomendas. E são sempre as mais esdrúxulas e nada de realmente importante como se poderia imaginar – são coisas absolutamente triviais e que nunca tiveram um grande papel na rotina no Brasil. Chiclete, creme para cabelo crespo, panela de pressão, e por aí vai…

Também faço parte da turma das encomendas e a minha lista não é muito diferente. Junto com a paçoca que eu comi ontem também recebi a maior de todas as preciosidades: calcinhas! Isso mesmo, porque aqui ou é calçola da vovó ou é fio dental. Então, eis que eu recebo um pacote cheio de calcinhas brazucas, aquelas da Renner que custam dez pratas e não te fazem sentir com 80 anos nem passam o dia entrando no seu brioco. Uma alegria (as que eu trouxe comigo estavam pela hora da morte)!

Já tive o prazer de receber outras encomendas louváveis nesses últimos meses! Como por exemplo, um par de havaianas, que pro meu estilo de vida por aqui viraram artigo de primeira necessidade, mas que  em Cinga custam os olhos da cara. Nada de chinelo vendendo na farmácia por um precinho (que já foi mais) camarada…

Rolaram também frascos de buscopan, a única poção mágica capaz de acalmar minhas cólicas mensais. E as caixas de erva mate?! Não sei como a carioca aqui estava vivendo sem elas! Desde que chegaram, economizo tanto a minha iguaria, que meus mates mais parecem chá do que aquela gostosura marrom que sai dos tonéis porcalhões da praia de Ipanema! Mas é o que temos, paciência!

Outro dia me peguei invejando uma menina que recebeu um pacote de farofa Yoki, daquelas bem vagabundas que eu jamais compraria por saber que a minha feita em casa na panela é bem mais gostosa. Mas aqui em Cingapura, o farelo daquele pacote feio e amassado continha o verdadeiro gostinho da saudade…

Como fazer uma carioca feliz longe de casa! Fica a dica aos amigos que vêm aí...

Como fazer uma carioca feliz longe de casa? Fica a dica aos amigos que vêm aí…

O preço da ostentação

23 ago

Não me venham falar em tradição.

Não me venham falar que a sopa da barbatana de tubarão é uma receita milenar que vovózinhas chinesas vêm passando através de gerações na tentativa de manter vivo antigos costumes do seu povo. A sopa da barbatana de tubarão nada mais é do que símbolo de status e riqueza, pura ostentação que se vê em grandes eventos como casamentos, festas e jantares de negócios. Herança da Dinastia Ming, que a elevou a condição de iguaria pela raridade de seu principal ingrediente, a sopa atualmente é consumida em escala muito maior do há alguns séculos.

Um amigo brasileiro que também vive aqui em Cingapura me relatou outro dia sobre um jantar de confraternização da empresa em que ele trabalha, onde foi servido o polêmico prato. Ele, que me conhece há anos e tá cansado de ouvir meus discursos sobre a sustentabilidade daquilo que levamos à mesa, recusou-se a experimentar. Seus companheiros cingapurianos, no entanto, se deliciaram com a iguaria sem culpa alguma. Não porque era gostoso. Não porque tinha propriedades medicinais. Mas porque era caro, chique e, para a sorte deles, de graça.

Segundo o site Stop Shark Finning, um prato da sopa pode custar até 100 dólares nos restaurantes, o que faz com que pescadores espalhados pelo mundo não poupem esforços para garantir as tais barbatanas que vão aumentar consideravelmente o lucro dos negócios. Não precisamos ir muito longe nessa história para concluir que, uma vez que apenas as barbatanas interessam, depois de cortadas e o lucro garantido, os animais são jogados de volta ao mar para morrer.

Isso, por si só, já é o suficiente para nenhum ser humano querer consumir esse tipo de alimento. Mas vamos seguir. Ao que parece, a barbatana em si não gosto de p* nenhuma, apenas serve para dar textura e consistência a um caldo de legumes ou frango. Quer mais? A medicina chinesa atribui à iguaria propriedades medicinais, entretanto a carne do tubarão possui altas doses de mercúrio se comparada à de outros peixes. Então? Ficou com água na boca?!

Em Cingapura, a Cold Storage, uma das maiores redes de supermercado, aboliu a venda da barbatana e da carne de tubarão. Logo o Carrefour e o Fair Price seguiram o exemplo e retiraram os produtos de suas prateleiras. Mas por aqui a sopa ainda é muito popular entre os chineses. Restaurantes de luxo a oferecem sem constrangimentos, casais continuam a esbanjando em suas bodas e ninguém esconde a vontade de experimentar o gostinho da riqueza!

Segundo a organização Sea Shepherd, mais de 100 milhões de tubarões são abatidos todos os anos. Oito mil toneladas de barbatana de tubarão são processadas anualmente, sendo que ela constitui apenas 4% do corpo do animal. Dezoito espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção. Esse é o preço da ostentação.

Barbatanas de tubarão expostas nas vitrines de Macau.

Barbatanas de tubarão expostas nas vitrines de Macau.

 

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