Arquivo | janeiro, 2013

Aquele sobre o Thaipusam

30 jan

 

Moramos em um bairro habitado quase exclusivamente por expatriados que, não fosse por um templo chinês budista um templo hindu que tentam respirar entre os bares e restaurantes daqui, poderia se tratar de qualquer centro urbano estéril de tradição e cultura pelo mundo afora. Mas é bom lembrar que estamos em Cingapura, e aqui até mesmo em um bairro como o nosso as tradições mais cedo ou mais tarde aparecem. Para nossa surpresa, um dos tais templos do nosso bairro, que até então tínhamos dado pouca atenção, era o destino final de uma grande procissão hindú que aconteceria no domingo, o Thaipusam. Era como se, em pleno Leblon, centenas de pessoas se reunissem para uma grande manifestação religiosa. Deu pra imaginar? Então, prosseguindo…

O Thaipusam é uma das maiores celebrações hindus que acontece anualmente em lugares como Índia, Malásia e Singapura. Centenas de devotos acompanham uma longa procissão entre dois importantes templos hindus rezando em forma de canto e batucadas, levando potes de leite como oferenda. Durante a cerimônia, como prova de fé e devoção, muitos deles se flagelam aplicando agulhas e barras de metal na língua e na pele. O ritual também inclui puxar altares pesados através de grampos cravados nas costas.

Chegamos timidamente no templo, já lotado por volta das 11h, sem saber como seria a recepção de turistas em uma cerimônia tão sagrada e importante. Sem receber nenhum olhar de desaprovação, nos enfiamos no tumulto e fomos levados pela massa para dentro do templo, onde os devotos chegavam para deixar suas oferendas. Por mais incrível que possa parecer, a celebração do Thaipusam é alegre e embalada por cantorias e batuques muito semelhantes ao nosso samba (como todo o devido respeito, é apenas uma comparação rítmica, por favor!!). Os devotos que trazem kavadis – os tais flagelos no corpo – chegam dançando e são recebidos com muita festa por todos. Uma cerimônia forte, mas muito emocionante.

Depois de muitos registros com o sol a pino, saímos do templo em busca de sombra, mas não resistimos e entramos bem no meio da procissão que chegava (e continuaria chegando madrugada adentro!). Tivemos a chance de nos aproximar e ver melhor os kavadis, que a essa altura do dia já não nos chocavam tanto. E como ainda sobravam energia e bateria na câmera, demos uma passada na área reservada à chegada dos devotos com kavadis, para terem retirados do corpo as agulhas, as barras de metal e os grampos. Durante o ritual, a cantoria continuava. Enquanto me encaminhava para saída, notei que não havia nenhum devoto que não estivesse com um sorriso de orgulho no rosto.

 

Devotos chegam para deixar oferendas e participar da celebração! Templo  Sri Thendayuthapani, do ladinho de casa!

Devotos chegam para deixar oferendas e participar da celebração! 

 

Templo Sri Thendayuthapani, do ladinho de casa!

Templo Sri Thendayuthapani, do ladinho de casa!

 

Hindus comemoram o Thaipusam!

Hindus comemoram o Thaipusam!

Devoto ostenta orgulhoso seus kavadis

Devoto ostenta orgulhoso seus kavadis

Devotos com kavadis!

Devoto com kavadis!

Procissão debaixo do sol e sobre o asfalto quente...

Procissão debaixo do sol e sobre o asfalto quente…

 

Para tratar do tempo e do mau tempo

30 jan
Nunca antes na história de Cingapura entrou uma frente fria tão duradoura quanto a do fim de semana retrasado. Se bobear, nunca entrou uma frente fria em Cingapura e ponto. Pois acontece que o tal fenômeno atípico deixou a cidade e o nosso aguardado fim de semana todinho debaixo d’água. Uma garoa insistente e e bem diferente das pancadas de chuva de meia horinha que até então tinha visto por aqui.
São Pedro teve que ouvir poucas e boas, já que esse era nosso primeiro fim de semana dedicado exclusivamente a curtir a cidade depois de termos gasto muito tempo livre na missão de achar e montar o apartamento. Nenhuma visita à Ikea, nenhuma pendência burocrática, nada, só aproveitar! E lá veio a chuva. Nada de ir ao parque andar de bicicleta, nada de solzinho matutino na piscina… Programação toda por água abaixo, literalmente.
Depois de tamanha decepção, a semana seguinte se arrastou esbanjando monotonia, como se fosse uma segunda-feira seguida de outra. Meus primeiros dias sem casa para arrumar, móvel para comprar e nenhuma novidade pra contar em casa. E um certo diabinho insistindo em soprar, bem baixinho, no meu ouvido “o que diabos você veio fazer aqui, lunática?”. Um par de noites mal dormidas e uma dúzia de consolos do namorado (lindo!) depois e vi que era hora de sair da inércia porque agora sim a vida começava em Cingapura. Quando a sexta-feira chegou, eu podia jurar de pé junto que ainda era quinta. A prova final de que eu precisava de uma coisa com urgência: rotina. Viver em clima de férias ao lado de um namorado se matando de trabalhar não era mais uma opção viável. Quem me conhece sabe que não consigo viver de bode por muito tempo. Então, coloquei as ideias em ordem e com uma lista novinha de afazeres para colocar em prática asap, terminou mais uma semana.
 A mudança de energia trouxe junto um fim de semana ensolarado, propício a uma programação digna da cidade multicultural em que vivemos. No sábado, o promissor Laneway Festival não decepcionou. Como poderia com 14 shows seguidos com o melhor do indie-rock mundial? Sem contar a organização, a pontualidade, o fácil acesso e outras cositas más que brasileiro às vezes até esquece que existe.
Para os curiosos de plantão, o line up do festival taquí ó:
Já o domingão estava reservado para um programa bem menos hypster e que merece um post todinho só pra ele com direito muitos causos e fotos. 
Quem viver, verá!
(Enquanto isso, aí vai uma palhinha do show do Gotye. Não filmei a participação da Kimbra porque tava entretida assistindo… malzaê!)
O festival começou ao meio-dia com o sol descascando no cocoruto!

O festival começou ao meio-dia com o sol descascando no cocoruto!

Só a cervexxxinha gelada salva!

Só a cervexxxinha gelada salva!

Deixando a semana ruim pra trás com muita música... e meu amor!

Deixando a semana ruim pra trás com muita música… e meu amor!

...até que sol se despede pra alegria da galera!

E sol se despede pra alegria da galera…!

Botando ordem na casa!

22 jan

Saí da casa dos meus pais com meus 25 aninhos recém completos. Era um apêzinho minúsculo no Leblon, mas eu nem ligava. Era todinho meu. Só meu. Mas assim também eram as (muitas) contas, e minha primeira lição como mulher independente foi a de que nenhum apartamento se monta da noite para o dia. Assim, fui atrás do básico: fogão, geladeira, cama. Herdei um sofá de segunda mão. Os armários da cozinha e do quarto tive que garimpar nas Casas Bahia muito a contra-gosto, mas era o que o orçamento permitia. Os amigos ajudaram com as muambas do dia-a-dia no meu primeiro chá de panela. Com o passar do meses, e dos contra-cheques, pude comprar uma mesinha de varanda com cadeiras, pois era o que a sala comportava. Deu até para descolar uma planta, que sobreviveu a duras penas por dois anos e meio, tempo que fiquei no meu saudoso primeiro apartamento.

De lá, parti para uma empreitada ousada e muuuuito oportunista de financiar um apartamento em Botafogo. Fiz as contas, refiz, pensei, pensei, pensei mais um pouco e lá fui eu assinar os papéis. Alguns meses depois, deu-se o boom imobiliário no Rio de Janeiro e eu me tornei uma proprietária bem afortunada. Mas mesmo com toda sorte do mundo do meu lado, tinha 30 anos de prestação pela frente e os planos de mobiliar o apartamento do jeitinho que eu sonhava foram postergados mais uma vez.

Aos poucos, fui descobrindo o prazer de restaurar, reciclar e inventar moda. E descobri, principalmente, que  os chamados móveis DIY são mais criativos do que os das lojas e bem mais baratos. Esse foi o pulo do gato que fez a minha casinha ir ganhando a minha cara. Muitas pesquisas na internet depois e meu lar ganhou uns banquinhos coloridos ali, uma mesinha de centro recauchutada acolá…

Me mudei pela terceira vez aos 31 anos, dessa vez para, literalmente, juntar os trapos com o namorado. E juntamos muitos trapos, móveis, objetos de decoração! Sorte que, bem diferente do meu primeiro apartamentinho no Leblon, nossa nova casa gozava de 120m quadrados para abrigar tanta coisa. Arruma daqui, arruma dali e nosso canto foi ficando com a nossa cara, um potpourri colorido e cheio de vida, de história, de amor. E no meio de tudo isso, nossos dois gatos! Afinal, lar sem bichinho não é lar.

Mas, como todos os 3 leitores desse blog estão carecas de saber, nosso amado apê de Laranjeiras, ponto de encontro de muitas cervejinhas com os amigos, durou exatos seis meses, quando chegou a hora de começar tudo de novo em Cingapura. Do zero. Sem parar pra olhar pra trás – porque é nessa hora que você congela, entra em pânico e não faz nada –  vendemos praticamente tudo o que tínhamos, dos móveis aos utensílios de cozinha. Não me arrependo de uma coisinha que tenha sido vendida por uma mixaria, mas penso toda noite quando vou dormir nos meus gatinhos que ficaram no Brasil em um lar “adotivo” (e cheio de amor).

Enfim, chegamos aqui com exatas seis malas contendo (poucas) roupas, alguns livros, nossos computadores e câmeras, um porta-retrato com uma foto do casal e um narguilé recém-adquirido na Turquia. Nada além disso. Na-da.

Isso significava voltar lá pros meus 25 aninhos, quando me vi diante de um apartamento completamente vazio, uma tela em branco! Tive meus momentos saudosistas, principalmente quando saí a procura das coisas mais banais que se compra uma vez na vida pra nunca mais, tipo balde, colher de pau, escorredor de macarrão. Me vi ao lado da minha mãe, percorrendo os corredores da Casa e Vídeo com um lápis na mão, fazendo contas e mais contas. Nossa, como cada cabide esburacava minha conta bancária!

Por aqui não precisamos levar a calculadora para comprar panelas, mas na pressa de começar nossa vida aqui e adquirir o básico pra casa, algumas etapas perderam o romantismo. Compramos todos (to-dos) os móveis numa filial gigantesca da Ikea – mais prático e muito mais barato. Louça, copos e panelas idem. Os utensílios do dia-a-dia, em uma loja all-for-2-dollars japonesa. E voilà, temos uma casa!

Confesso que agora olho para ela e vejo um catálogo da Ikea. Nenhum móvel herdado da vovó, nenhum banquinho mal pintado por mim, nenhum pôster que já chegou amassado pelo correio. Em compensação, diferente da ex-casinha lá de Laranjeiras, cada ítenzinho foi comprado a dois – e com muito amor. Foram tardes intermináveis, cansativas, mas muito especiais decidindo cada detalhe do NOSSO lar. Ainda não está com a cara que a gente quer, mas, aos poucos, a gente chega lá.

Próximo passo: plantas, almofadas, e quadros. Aliás, alguma sugestão de como usar pôsters e quadros sem furar as paredes??

Bom, aí vai um “antes e depois” do cafofo. Como boa publicitária, tirei as fotos logo depois de fazer uma bela faxina. Divirtam-se com o tour!

Antes...(lindo o piso branco, né? Pois basta cair um fio de cabelo pra ele parecer que está imundo!)

Antes…
(lindo o piso branco, né? Pois basta cair um fio de cabelo pra ele parecer que está imundo!)

...e depois!Todos os móveis orgulhosamente montados por nós!

…e depois!
Todos os móveis orgulhosamente montados por nós, inclusive o sofá!

Como eu disse, parece um catálogo de móveis. Procura-se tapete, quadros, almofada e plantas!

Como eu disse, ainda parece um catálogo de móveis. Procura-se tapete, quadros, almofada e plantas!

Detalhe da lanterna de papel comprada a 2 dolares na loja japonesa de quinquilharias!

Detalhe da lanterna de papel comprada a 2 dolares na loja japonesa de quinquilharias!

Segundo móvel da casa a ser montado (depois da cama)!

Segundo móvel da casa a ser montado (depois da cama)!

Quem é frenética nos blogs de decoração como eu, já ouviu falar na deco-tape. São tecidos adesivos lindos! Pra minha alegria, tem aos montes na loja tudo-por-dois-dolares! Não deu uma bossa no bar??

Quem é frenética nos blogs de decoração como eu, já ouviu falar na deco-tape. São tecidos adesivos lindos! Pra minha alegria, tem aos montes na loja tudo-por-dois-dolares! Não deu uma bossa nesse barzinho tão singelo??

Outro uso pro meu kit deco-tape: avisando que a porta de vidro da cozinha está fechada e evitando (novos) acidentes!

Outro uso pro meu kit deco-tape: avisando que a porta de vidro da cozinha está fechada e evitando (novos) acidentes!

Imagens valem mais…

21 jan

Fazia tempo que eu não saía por aí fotografando a cidade. Acho que acontece quando deixamos de ser turistas para virar moradores. Ontem, quando estava a caminho do Clark Quay indo aproveitar o happy hour no Crazy Elephant – nosso bar preferido, mas isso é papo pra outro post – , fui surpreendida por um fim de tarde belíssimo. Assim que eu peguei a câmera para registrar o momento, percebi que tinha tempo que eu não fazia isso.

Então, além de fotografar nossa noite no bar, decidi tirar o dia para passear por aí sem rumo, descobrindo a cidade e, é claro, fotografando. (Sem rumo é maneira de dizer, meu destino era o excelente Asian Civilization Museum).

E voltando ao título desse post… Como imagens valem mais que mil palavras, vou acabar com o bla bla bla e deixar as fotos contarem melhor como foi esse meu dia de flaneur.

Fim de tarde no Clark Quay. Antigo ponto de comércio na beira do rio, hoje reúne bares, restaurantes, locais e turistas!

Fim de tarde no Clark Quay. Antigo ponto de comércio na beira do rio, hoje reúne bares, restaurantes, locais e turistas!

Apesar das luzes coloridas e do bla bla bla nas mesas de bar, o local mantém o clima histórico devido à preservação das fachadas dos antigos depósitos.

Apesar das luzes coloridas e do bla bla bla nas mesas de bar, o local mantém o clima histórico devido à preservação das fachadas dos antigos depósitos.

De barcos, comerciantes e mercadorias a chopp gelado em algumas poucas décadas!

De barcos, comerciantes e mercadorias ao chopp gelado em poucas décadas!

Meu prédio preferido da cidade!

Já foi eleito meu prédio favorito!

Logo ali, depois da ponte, o Asian Civilization Museum!

Logo ali, depois da ponte, o Asian Civilizations Museum!

Fiquei uns 15 minutos observando essa estátua. Dá quase para ouvir as crianças rindo e gritando...

Fiquei uns 15 minutos observando essa estátua. Dá quase para ouvir as crianças rindo e gritando…

Central Business District (ou CDB para os íntimos!)

Central Business District (ou CBD para os íntimos!)

Depois de andar o dia no sol, fiquei com uma pontinha de inveja do dono dessa bicicleta...

Rolou invejinha do dono dessa bike! Vocês aí no rio reclamando do calor, saibam que o sol cingapuriano não é para os fracos…

Detalhes picantes de nós dois…

17 jan

Manter hábitos alimentares “ocidentais” por aqui não é nenhuma missão impossível. Pela cidade pipocam restaurantes italianos, pubs ingleses, bistrôs franceses, bares tex-mex e por aí vai. Mas pra quem gosta de explorar novos temperos, isso aqui é um banquete! A culinária do lado-de-cá está toda reunida aqui também: indochina, chinesa, indiana, turca, cambojana…

(Mas arroz com feijão que é bom nada, né???)

Enfim, voltando à história. Tenho uma outra metade que é curiosa em todos os sentidos, inclusive no paladar. E eu não estou falando de nenhuma parte obscura do meu ser, falo do André mesmo. Não pode ver uma coisa diferente que lá tá ele fuçando, cheirando, lendo, tocando… E eu vou junto!

Dá pra concluir que Cingapura é um prato cheio (com trocadilho, por favor) pra gente na hora das refeições. Pois hoje eu fui encontrar com a tal metade para um almocinho inocente no meio do expediente, e lá fomos nós parar num restaurante indiano.

Preciso dizer como terminou nosso encontro depois da entradinha apimentada, da sopa apimentada, dos legumes apimentados e do queijinho apimentado???

E foi assim que eu vim parar aqui no blog hoje, quando na verdade tinha separado a tarde pra conhecer o parque lindo que temos aqui perto de casa. Se não bastasse a pimenta (que no dos outros não é nada refrescante, aviso logo), o sol apareceu hoje pra lembrar que estamos sentados na linha do equador. Aí resolvi dar um “oi” por aqui enquanto faço a digestão na companhia de um chazinho e do slpit marcando 18 graus aqui da sala.

Em nome do pai, do filho e do ar condicionado, amém!

Sol lascando no caminho de casa!!

Sol lascando no caminho de casa!!

Um post “retrô” e o nosso Hotel phyno!

14 jan

Puxa vida, falei mal do hotel no último post, néam? Me senti uma ingrata maldizendo meu quase-lar que me abrigou por tantos dias e com tanto carinho!

Na verdade, era o bairro que me deixava um pouco estressada. O hotel era um oásis no meio do calor da Orchard Road. Então, pra que a justiça seja feita, vou falar dos funcionários sempre simpáticos (a tiazinha que servia o café-da-manhã já sabia que eu gostava dos meus ovos sunny side up); da super suíte-que-tava-mais-pra-apartamento e recebia faxina impecável todo dia de manhã; da sala de musculação praticamente privé; e, principalmente, dos muitos mimos que eu podia aproveitar ao longo do dia. Então taí o registro de uma boa temporada levando vida de madame e que durou exatamente o tempo que tinha que durar.

Não via a hora de encontrar meu lar, doce lar. Fotos em breve… Por enquanto, fiquem com as do hotel mesmo!

Perguntem se eu joguei alguma vez? Arrependimento...

Perguntem se eu joguei alguma vez? Arrependimento…

Um mimo, não?

Um mimo, não?

Chazinho delícia liberê o dia todo!

Chazinho delícia liberê o dia todo!

Trabalhar de casa dá um sono que eu vou te contar. A máquina de café vai fazer muuuita falta!

Trabalhar de casa dá um sono que eu vou te contar. A máquina de café vai fazer muuuita falta!

Um cantinho pra chamar de meu…

14 jan

Nada melhor pra começar a se sentir em casa em uma nova cidade como encontrar um lugarzinho que é a sua cara. Pois logo de cara eu tive a sorte de encontrar o “cantinho pra chamar de meu” aí do título do post.

O hotel em que ficamos hospedados durante todo o primeiro mês por aqui era cravado no coração da Orchard Road. Pra quem tem preguiça de ver no google, explico o que é (mas vale a pena procurar umas fotinhos, vai…). É a rua mais movimentada, badalada e amada da cidade, e eu não estou exagerando! Formada por uma sequência de shoppings com construções megalomaníacas e lojas de luxo. Prada, Chanel, Rolex, Louis Vuitton, Ralph Lauren e um monte de outros nomes que não me dizem nadica de nada, mas diz muito pra muita gente.

Deu pra sentir o clima? Pois parecia difícil achar um cantinho que fosse a minha cara no meio desse pesadelo bairro. Pois não é que eu achei?! Tudo bem, tudo bem, foi dica dos coleguinhas do trabalho do André, mas mesmo assim foi um senhor achado.

Meu novo point é o Real Food, cadeia de restaurante organico-natureba-veggie-nature-friendly e tudo mais o que muita gente vai achar um saco, mas eu que eu achei lindo! E do LADINHO do meu hotel! Fui tantas vezes que até fiz amizade com a garçonete, uma japonesa que já esteve em São Paulo visitando uns parentes! Uma fofa, mesmo no dia em que esqueceu meu pedido. Ganhei uma porção de legumes assados por conta da casa.

Será que só eu fico feliz com uma porção de legumes assados? Olha que tinha um toque de tempero oriental, viu?! Tava bom, eu juro!

Me conquistado pelas palavras antes de me conquistar pelo estômago!

Me conquistado pelas palavras antes de me conquistar pelo estômago!

Meu prato predileto nem é esse, mas tá sempre tão gostoso que eu nunca lembro de fotografar!

Meu prato predileto nem é esse, mas tá sempre tão gostoso que eu nunca lembro de fotografar!

E a chuva chegando em 3, 2, 1…

14 jan

E a chuva chegando em 3, 2, 1...

Como eu disse, estamos na época de chuva. Ela cai quase pontualmente, todos os dias. E vem chegando lá de longe, do mar, em direção à terra. Da janela do nosso novo apê, dá pra ver a nuvem chegando em toda sua grandeza. Podia ser um saco se não fosse tão rápido. Em meia hora o sol já taí de novo. Só é ruim se você tá na rua sem guarda-chuva. Como eu estive diversas vezes até aprender a regra número um de Cingapura: NUNCA na rua sem guarda-chuva.

Começando quase do zero

14 jan

Demorei, mas cheguei!

Sei que prometi emails diários, ligações pelo skype, presença no gtalk, iphone pra tocar mensagens instantâneas e outras garantias furadas, mas a verdade é que dá um trabalho danado manter todas essas promessas com um montão de gente (sim, morram de inveja, tenho amigos páburro e todo são carentes como moi). Tudo bem que em tempos de copy-paste até dá pra agilizar o processo, mas cadê o romantismo, heim, meu povo? Sou da época em que se trocavam cartinhas, todas trabalhadas no fosforescente, adesivos de gosto duvidoso e com pelo menos um “TE AMO D+”. Era muita poesia, sinto saudade.

Calma, não vão chegar cartinhas coloridas na casa de ninguém. Tudo isso foi pra dizer que resolvi cumprir pelo menos uma promessa, a de manter um blog atualizado contando minhas desventuras em Cingapura. E vamos deixar o termo “atualizado” bem amplo e livre de conceitos muito categóricos, por favor!

Já contabilizamos mais de um mês por essas bandas e muita água já rolou por baixo dessa ponte (literalmente, estamos na estação da chuva!). Talvez escreva alguns posts retrôs, talvez não. Se não fizer, é porque muita coisa nova tá acontecendo e não deu tempo de dar o rewind. Aguardem.

Esse post é, na verdade, apenas um aviso de que esse blog, enfim, existe. E que em breve ele estará cheio de histórias, fotos, videos… Aos amigos e a família que estão longe, fica aqui um pouquinho de mim, em Cinga.

hellokitty

E deixo aqui uma lembrança pra colorir meu post só porque hoje acordei saudosa dos tempos do papel e da caneta! E dos adesivos!