Quem nunca?

19 abr

 

Hoje vou fazer uma confissão: eu falo sozinha. E não é um hábito adquirido nesses tempos saudosos dos amigos e de longas tardes de trabalho em casa, não. Eu falo sozinha desde que eu me conheço por gente.

Acho que a coisa ficou séria quando saí de casa e perdi de vez as chances de esbarrar com uma platéia inesperada. Sozinha de verdade, lá se foi qualquer resquício de constrangimento. Quando os gatos vieram morar comigo a conversa só aumentou, mas aí eu já não estava tecnicamente falando sozinha. Eram dois ouvintes atentos e como adoravam um papo! Os olhinhos, sempre interessados mesmo depois que eu comecei a inventar músicas pra eles. Quando o André chegou pra viver conosco não pode fazer nada além fingir naturalidade toda vez que escutava o papo rolando no cômodo ao lado.

Agora aqui em Cingapura, sem a companhia dos meus amados felpudos, não demorei a encontrar novos interlocutores. A samambaia da sala que anda moribunda, aquela manchinha no piso do banheiro que não sai por nada, o controle remoto que insiste em se esconder atrás das almofadas e até o arroz que estragou na geladeira. Já com o computador a relação é mais intensa, tendo rolado “DR”s, gritarias e palavrões. Outro dia me flagrei conversando com uma garrafa de vinho, cujo lacre não abria por nada. Mas aí achei que podia pegar mal, porque falar com garrafa já parece coisa de bêbado.

Escrevo sobre isso apenas porque essa semana comentei sobre esse meu hábito a um amigo, que me chamou de maluca. Não entendi. Quem nunca? Eu sempre…

 

Essa eu mesma poderia ter feito se soubesse desenhar ou criar tirinhas sarcásticas.

Sério! Quem nun-ca?

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12 Respostas to “Quem nunca?”

  1. marcele abril 19, 2013 às 3:10 pm #

    caríssima, não sei se vc lembra… mas eu sempre tb. E nem preciso estar sozinha, como bem sabe o pessoal do trabalho…
    Hoje finalmente descobri que posso comentar seus posts! Pretendo fazer mais, já que acompanho todos. (contei dos 100 dias sem calça para o povo aqui). Bjin saudoso.

    • cissaferreira abril 20, 2013 às 4:22 am #

      Marceleeeeeeeeeeeee, saravá!!!
      Pensei muito em você quando escrevi sobre isso! Sabia que você ia me entender! Hahahahha!! Saudade de você, maluca! Vem me visitar, vem?!

  2. Bianca Farah abril 19, 2013 às 4:32 pm #

    hauhauhauhauua Eu sempre também!!! Mas pior do que nós duas, eu ouso dizer, é o João!! Ele fala loucamente dormindo e quando acorda! Toma banho tendo altos diálogos, e segue falando pelo café da manhã até sair de casa! Já acordei várias vezes assustada, querendo saber o que estava acontecendo! Agora já me acostumei! Já perguntei se isso começou a acontecer depois que ele começou a morar lá em casa… já que ele decidiu se casar com uma tagarela de plantão… mas ele afirma que não… que sempre foi maluquinho tb! 😉

    • cissaferreira abril 20, 2013 às 4:24 am #

      Hahahahah!!! Eu lembro se você contando as histórias do João sonâmbulo. Agora, falar no banho não tem desculpa, né…

  3. Marcia Mendel abril 21, 2013 às 2:16 pm #

    hahaha,Bia, que engraçado do João, eu tbm falo direto sozinha, aliás muitas vezes com o Pitoco, mas aí quando é com ele, eu pareço uma retardada e ele fica me olhando com a cabecinha de lado, tendo cada vez mais certeza que a mãe dele pirou.

    • cissaferreira abril 22, 2013 às 1:13 pm #

      O Pitoco come pedra, então não está em condições de julgar sua sanidade… 😛

  4. lina de souza abril 24, 2013 às 12:15 am #

    eu sim!!!… eu sempre!… será que passa de mãe pra filha?… 🙂

  5. Carolina Lauriano abril 27, 2013 às 3:51 am #

    my, ri muito com esse post!! imaginando você falando com as paredes, gente…. eu super te vejo!!! doida! amo tanto!!! eu falo sozinha, óbvio. mas o pior momento é quando falo no trabalho, quando desligo uma ligação e comento alto pra mim mesma, quando começo a escrever e falo pra mim mesma que está ruim, e em volta pessoas que não têm a menor intimidade… =/

  6. Clara Polainas maio 1, 2013 às 10:48 am #

    Cissa, sua genialidade com as palavras é tamanha que não basta elas ficarem no papel, online ou na sua cabeça! As palavras PRECISAM sair de ti! mesmo que seja em voz alta e sem interlocutor aparente! Super te entendo!!!! eu era a rainha de dar entrevistas na Lagoa durante as minhas caminhadas diarias ate o ponto de onibus!!!! chegou um ponto na vida que comecei a dar entrevistas em inglês (só pra treinar, aham). hoje em dia elevei o nivel da loucurinha (botando n diminutivo sempre parece menos pior) ao anunciar as coisas que vou fazer como se tivesse falando com alguém e no plural. “vamos tomar banho, escovar os dentes e ir trabalhar nesse feriado de dia do trabalho, Clara”. é, acho que preciso de um gato ou de uma mancha na parede…

  7. Valéria Áureo junho 15, 2013 às 10:26 pm #

    Sensacional! Especialmente esta. São os primeiros sintomas do cronista… Depois de falar sozinha, ouvirá vozes… E, especialmente no meio da noite, no melhor do seu sono.
    Bem-vinda ao clube. Não se assuste se tudo em volta responder. A mágica está em saber ouvir e dar a resposta certa. O que esperam de nós? Que saibamos passar para o papel e encantar os leitores.
    Beijos e sucesso.
    Tia Valéria

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