Arquivo | maio, 2013

cissa.em.yangon

29 maio

Eu sei que eu ando em falta. Sei que o Chinese New Year, os highlights aqui de Cinga e outras viagens  ainda não ganharam um video para chamar de seu. Paciência. Mas, fazer o quê? Yangon mal chegou e conquistou a pole position. Não aguentei ficar com esse mateial aqui no meu HD sem fazer nada com ele. O resultado final não faz jus à viagem, mas é o máximo que eu pude fazer com a ansiedade de mostrar correndo minhas impressões da viagem, além do que já tinha escrito no post anterior.

Então, com vocês, mais um pouquinho de mim… do outro lado do mundo!

My Myanmar

27 maio

Seria no mínimo injusto começar a comparar os lugares pelos quais viajamos nos últimos meses. Não estou aqui em uma corrida em busca do meu destino preferido. Até porque o que mais me motivaria a botar o pé na estrada senão a crença de que um lugar ainda mais incrível me espera na próxima viagem?

Dito isso, me sinto mais livre para afirmar que Yangon me encantou como nenhum outro destino até agora. Já estive em cidades mais limpas, comi em melhores restaurantes e vi paisagens mais impressionantes, mas desde que começamos a viajar pela Ásia nenhuma outra cidade me deixou de queixo caído como a antiga capital do Myanmar.

A primeira impressão do lugar me pegou de surpresa. O aeroporto internacional de Yangon é mais moderno, limpo e organizado do que o de Hanoi, no Vietnam, ou o de Padang, na Indonésia, por exemplo. As filas ligeiras dos guichês de imigração quase me fizeram esquecer da epopéia que tinha sido conseguir o visto para viajar. É que a nossa jornada até Myanmar havia começado alguns dias antes com um belo chá de cadeira na embaixada aqui em Cingapura. Não bastasse a espera, fui bombardeada de perguntas por ter preenchido no formulário que era roteirista. Ainda não sei se o que pegou pro meu lado foi o fato de não trabalhar para uma empresa local ou talvez parecer uma jornalista subversiva procurando encrenca. Mas como tudo indicava que seria complicado explicar meu trabalho como freelancer, resolvi apelar para a plavrinha mágica: dona de casa. “Não trabalho aqui, sou dona de casa!”. Tiro e queda e os três funcionários que se juntaram para me interrogar resolveram enfim colaborar, não sem antes algumas risadinhas. Depois de escrever uma carta de próprio punho declarando que não trabalhava mais para uma empresa de comunicação brasileira, que era agora uma dona de casa e que me responsabilizaria integralmente pelos meus atos em Myanmar, finalmente aceitaram meu passaporte e me entregaram o visto.

Mas como eu disse, já nem me lembrava dos problemas na embaixada quando pisamos em Yangon. O caminho para o hotel também surpreendia: avenidas largas, asfalto impecável e canteiro central florido e bem cuidado. Tudo mudou, porém, quando chegamos no centro da cidade, nosso destino final. O que eu tinha lido sobre a maior cidade de Myamar era floreio perto do que eu via ali. Ruelas estreitas cobertas de lixo, prédios em péssimo estado de conservação, barracas de comida espalhadas pelas calçadas sem nenhuma higiene. Mas o lugar não assustava. Pelo contrário, era absolutamente acolhedor.

Diferente do que pode parecer, há muito o que ver em Yangon. Prédios majestosos, herança da época colonial, aguardam pacientemente por uma merecida restauração, que se vier pode transformar esse centro histórico em um dos mais belos da Ásia. Do coração da cidade emerge a Sule Paya, pagoda que atrai muitos fiés e pouquíssimos turistas. Foi lá que fomos abordados pela primeira vez por locais curiosos. Primeiro um monge, depois um jornalista recém formado, ambos orgulhosos das mudanças recentes no país e esperançosos com a promessa de uma economia mais aberta e uma imprensa mais livre. Os encontros continuaram ao longo da viagem. Conhecemos um pai de família que se auto-intitulava classe média alta e morava ao lado de um esgoto a céu aberto com vizinhos na extrema pobreza; uma jovem de dezesseis anos que com inglês impecável dividiu conosco seu sonho de se tornar correspondente da CNN; meninas tímidas que deixaram os pudores pra lá por uma foto ao lado dessa estrangeira deslumbrada; um senhor quase surdo que abriu seu sorriso desdentado ao saber que éramos brasileiros; um alegre monge que ficou espantado quando dissemos que a maioria das pessoas acreditava que no Brasil se falava espanhol, enquanto ele acertou de cara. Foram tipos muito diferentes, mas todos dividiam a mesma vontade de conversar, trocar ideia, ao invés de apenas dar tchauzinhos e tímidos sorrisos. Eles queriam falar do país deles e saber do nosso. De igual pra igual, queriam conhecer um pouquinho desses ainda raros turistas.

Pouco acostumados com o turismo, ali ainda não se instaurou a cultura da esmola, dos golpes, da venda em massa de souvenirs baratos. Tudo o que queriam da gente era um pouco do mundo “lá de fora” que eles ainda não tiveram a oportunidade de explorar por conta própria. “Vocês vêm de um país pobre, mas estão aí com a mochila nas costas conhecendo o mundo. Nós não podemos fazer isso ainda”, nos disse o pai de família e professor que nos ajudou no trem porque queria “conversar e praticar inglês”.

Encantada com tudo o que eu tinha visto e ouvido àquela altura, não imaginava que o melhor ainda estava por vir. Chegamos na Shwedagon Pagoda no fim de uma tarde especial para os budistas que comemoravam o Full Moon Day of Kason, como é chamado em Myanmar, ou Vesak, em Cingapura. Milhares de fiés circulavam pelos muitos templos que se espalham pela Shwedagon. Idosos, jovens, mongens, todos chegavam para prestar suas homenagens e entre eles, como sempre, se destacavam alguns pouquíssmos turistas. Entre fotos, vídeos e muita conversa, perdemos a noção do tempo lá dentro. E mesmo assim, foi pouco. Voltamos no dia seguinte para ver o complexo da Pagoda mais vazio e ainda mais majestoso.

Foram apenas três dias na realidade de Yangon, mas foi o suficiente para ser a viagem mais autêntica e diferente que nos dispusemos a fazer até agora. Voltei pra casa com um desejo grande de ver esse país mudar e seu povo tão amigável, sincero, quase ingênuo, ter o desenvolvimento e o futuro que merece.

Fotos...

Fotos…

...conversas...

…conversas…

...e amigos!

…e amigos!

Chá de sumiço!

8 maio

Eu sei, eu sei, ando sumida. Mas tenho desculpa. Uma excelente desculpa, na verdade.

É que estamos recebendo nossas primeiras visitas aqui em Cinga. E como é bom poder mostrar nossa nova vida a velhos amigos. Tenho muitos cantinhos e esquinas já destinados a cada pessoa querida. Esse eu gostaria de mostrar pra fulana e, nossa!, como esse é a cara da beltrana! Mas, infelizmente, nem todos podem atravessar o globo para ver tudo o que eu reservei para eles. Mas fico muito feliz com os que puderam. Ou poderão.

Depois desse gostinho doce de amigos por perto, resolvi lançar a campanha “VENHA VISITAR A CISSA.EM.CINGA”! Você pode ganhar um tour pela autêntica Little India, um passeio pela tumultuada Chinatown, ou quem sabe um brinde na jacuzzi com vista para a cidade. Só chegando aqui pra saber. A diária é baratinha – qualquer pacote de mate ou garrafa de cachaça paga. E o café da manhã é por conta da casa!

Primeiras visitas pegaram Little India num sol escaldante...

Primeiras visitas percorreram Little India sob sol escaldante…

E as seguintes viram o bairro debaixo de muita chuva!  "visite você também a cissa.em.cinga"

E as seguintes viram o bairro indiano debaixo de chuva, mas igualmente lindo!
“visite você também a cissa.em.cinga”