Arquivo | julho, 2013

O tempo passa e os nossos passatempos

31 jul

Fim de semana vem, fim de semana vai e aos poucos os programas turísticos e as novidades vão ficando escassos. E quem vem lá? A rotina! Sim, ela também chega aqui do outro lado do mundo! E não é pra menos, em poucos dias completamos nosso oitavo mês longe do Brasil.

O lado bom disso é que agora nós podemos ter o gostinho de vida normal e junto com ela vem um monte de coisa gostosa que curtimos fazer juntos. Como contei no outro post, finalmente tivemos tempo de esticar nosso slack line no East Coast Park. Também já demos umas boas voltas de bicicleta pela cidade e muitas outras de skate, nosso mais novo hobby. Como moramos na beirinha do rio, fica fácil seguir seu curso e chegar lá na Marina Bay, um dos lugares mais bonitos daqui, principalmente no por do sol.

A tal rotina também nos permite agora curtir nossa casa sem a culpa do “tem tanto pra conhecer lá fora e eu aqui dentro”. Com o passar das semanas, corremos atrás de botar nossos filmes em dia (já tivemos exibição de desde o excelente documentário Searching for Sugarmen até o super-bocó Se Beber Não Case 2). E nada de cinema, aqui é sofá da sala e colo do namorado. Também nada de pipoca, aqui só dá brigadeiro direto da panela.

Nossa rotina também inclui um dos programas preferidos dos cingapurianos: comer, comer, comer! Mas sobre isso eu falo no próximo post! Por enquanto, deixo vocês com um vídeo curtinho e improvisado que fiz mais pra testar minhas novas bugigangas asiáticas do que pra mostrar a cidade. Mas vocês vão ver como dois skates de plástico da lojinha de conveniência, uma GoPro e um tripé fazem uma tarde de domingo ser tão divertida!

Ah, como tem muita gente tem me perguntado sobre as trilhas dos vídeos, vou passar a dizer sempre qual é a música (silvioooooo) pra quem gostar poder ouvir em casa! O vídeo (dá pra chamar isso de vídeo, gente?!) de hoje é embalado por Alabama Shakes – Hang Loose! Recomendo baixar, digo comprar, o CD que é todo muito bom! Divirtam-se!

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Próximo destino!

29 jul

Vocês aí no Rio andaram esfregando na minha cara um friozinho daqueles de dormir de meia e um feriadão prolongado dignos de dar muita inveja.  Frio por aqui eu até consigo se caprichar muito no ar condicionado, já o Papa duvido que tenha planos de vir pra Cingapura.

Mas calma lá, que podemos não ter o Papa, mas temos um feriado muçulmano vindo aí. E melhor, coladinho com o National Day e garantindo um feriadão de quatro dias consecutivos. Agora, adivinha quem parou de invejar a folga alheia e tratou de programar uma viagem bem porreta pela Ásia?

O calendário de feriados nacionais daqui inclui as festividades mais importantes das religiões majoritárias de Cingapura. Assim, temos feriados budistas, muçulmanos, hindús e cristãos. Pode parecer muita coisa mas, acreditem, aqui temos menos feriados do que no Brasil.

 O que vem por aí é o Hari Raya Puasa, uma celebração mundial na qual os Muçulmanos comemoram o fim do Ramadan. Já no National Day os cingapurianos comemoram do Dia da Independência da Malásia, em 9 de agosto de 1965, com direito a bandeiras enfeitando a cidade, desfile das forças armadas, exibição de caças no céu e show de fogos à noite.

Há algumas semanas acompanho o treinamento ensurdecedor dos caças, o ensaio dos helicópteros levando a bandeira nacional e o teste de fogos de artifício, mas na noite da grande festa estaremos bem longe daqui, em Hong Kong!  Nossa primeira viagem à China será esquema café com leite: quatro dias entre HK e Macau. Outros destinos mais “china-de-verdade” terão que esperar férias um cadinho mais longas.

Já recebi algumas dicas interessantes de amigos, desde alfaiates em HK a restaurante português em Macau. Mais alguém com dicas diferentes do que fazer por lá? Ou querem encomendar algum registro em especial? Escrevam! Seu desejo é uma ordem!

再见

(Curso de mandarim tem que servir pra algo, né? Google translate ajuda vocês nessa!)

 

cissa.em.cima do slack

9 jul

Poucas semanas antes de empacotar tudo e me mandar pro outro lado do mundo, minha amiga Carol, sempre um exemplo no assunto esporte e saúde, me convidou a fazer aulas de slack line com ela no aterro do Flamengo.  Tomei gosto pela coisa e consegui ter algumas horinhas de paz e equilíbrio no meio da confusão que estava a minha vida naqueles dias. Foram poucas as aulas e pouquíssima as manobras de fato aprendidas, mas se não me transformou em nenhuma malabarista serviu para o namorado se animar em comprar a nossa própria fita e trazê-la conosco pra Cingapura.

Os meses passaram e ela ficou lá, quase esquecida, no canto do nosso bomb shelter (que na falta de bombas virou o quarto da bagunça mesmo). Quase, mas não totalmente. A ideia de desenrolá-la por aqui sempre esteve presente, mas em um lugar cheio de regras e proibições batia um certo medo de sair amarrando nosso slack em qualquer árvore.

Em uma ida ao East Coast Park para andar de skate nos deparamos não com uma, mas duas slacks presas às árvores sem nenhum problema. Pronto!, acabaram-se as desculpas e pudemos, enfim, voltar a praticar. Estamos bastante enferrujados e o video a seguir, cheio de firulas de edição pra disfarçar, é a prova de que manobras e piruetas vão ficar pra depois! Mas vale o registro divertido do nosso dia tão lúdico, até que a chuva, sempre ela, nos fez recolher tudo e voltar pra casa…

cissa.em.little india

2 jul

Apesar da eficiência e da ordem cairem muitíssimo bem na minha rotina por aqui (jamais vou reclamar disso…), é ótimo saber que a poucas estações de metrô – ou a uma bela caminhada para os dias de maior disposição – se encontram pequenos redutos de autenticidade e tradição capaz de quebrar qualquer possível monotonia das áreas, digamos, mais modernizadas.

O vídeo de hoje traz justamente um desses lugares: a Little India. Como o nome mesmo sugere esse é o bairro que reúne a comunidade tamil, terceiro maior grupo étnico de Cingapura. Apesar de hoje em dia eles viverem espalhados pela cidade, o comércio e os principais templos seguem concentrados nessa região que exala cheiros e exibe cores que são um convite a um longo dia de caminhada sem rumo. Ali as vitrines brilham com joias de ouro enquanto barracas na rua transbordam flores e frutas e camelôs anunciam piratão dos melhores filmes de Bollywood. As casas de massagem ayurvedica ou pintura de henna se intercalam com restaurantes, templos e mesquitas. No ar, o cheiro de curry, incenso e o som alto das buzinas.

As pequenas shophouses que afloram por toda a cidade, na Little India são mais exibidas e coloridas. No Tekka Centre a noção de tempo vai pro espaço, pois as pequenas tendas têm tudo para decorar a casa: almofadas e tecidos do Nepal, artesanato de madeira da India, óleos, velas e quando vê lá se foram 40 minutos! Outro ponto bom para bater perna é o Arcade, mercadão de frutas, legumes, peixes e carnes que também aloja um imenso refeitório de comidas típicas indianas. Nada melhor para fazer hora enquanto os templos não abrem suas portas para os devotos que chegam no fim do dia com suas oferendas e rezas.

Apesar de ser um pequeno reduto barulhento, colorido e desordenado, em um aspecto ele continua igual ao resto da cidade: o clima. Você pode dar o azar de pegar um sol de rachar ou dar o azar de enfrentar um pé d’água sem aviso prévio. Ou os dois quase ao mesmo tempo.

Quem cedo madruga…

1 jul

O juiz apita. A bola rola no Maracanã! Aqui o relógio marca seis da manhã e é noite fechada lá fora. No lugar da cerveja gelada uma xícara de café sem muita emoção. Mas talvez o pão quentinho com manteiga e mel estivesse melhor do que o cachorro quente a 8 reais que vendiam no Maraca.

O dia só clareou no começo do segundo tempo. Assistimos ao jogo com o bônus do nascer do sol alaranjado da janela. Mas na hora dos gols, o grito dos dois moradores do 1610 ecoaram solitários na vizinhança. Quando o Brasil se tornou campeão, Cingapura ainda dormia…

A transmissão pela TV aberta daqui foi louvável. Sem a verborragia do Galvão, dava até para escutar a torcida cantando. E enquanto no Brasil a Globo já exibia o Fantástico, nós aqui ainda assistíamos a toda festa do nosso time em campo!