Feijoada (quase) completa!

7 ago

Não sou daquelas que viram um monstro fora de controle quando está na TPM. Não tenho vontade de matar ninguém e muito menos de me entupir de brigadeiro ou estrogonof, ou dos dois ao mesmo tempo. Raramente perco meus cabelos  ou faço o namorado perder os dele por conta da temida TPM. Eu disse raramente.

Esse mês tive uma dessas, tenebrosa! Mas antes de atacar meu humor a danada atacou meu estômago. E depois de oito meses na Ásia e longe da comidinha brasileira, adivinhem só o que esse estômago genioso e dominado pelos hormônios começou a exigir?

Patanisca do Pavão Azul! Não, pastel de palmito do Bar Urca! Não, caldinho de feijão do Belmonte! Ou feijoada em Santa Teresa? Já sei, pão na chapa da padaria da General Glicério! Não, bacalhau no Centro! Queijo minas na Rio Lisboa! Caldo de cana da feira! Arroz integral do Gohan!!! A situação era tão grave que mesmo a quase vegetariana que vos fala seria capaz de comer um salsichão com farofa se por milagre aparecesse um por essas bandas!

Passei o dia falando em comida, fui dormir pensando em comida e acordei depois de sonhar com comida. Não consegui encontrar nada que matasse a minha vontade de comida “de casa” e fui obrigada e me contentar com um peixinho sem graça no restaurante da esquina e um belo mojito (que eu tomei porque o namorado falou que “ia me fazer bem”).

A influência dos hormônios demoníacos diminuiu (ela nunca vai embora totalmente, né?) e eu sobrevivi a mais uma semana de dumpling soups, sashimis, hot pots, cogumelos e um tanto de vegetais orientais que sequer têm nome em português. Eu adoro tudo isso, veja bem, mas, como eu disse, lá se vão oito meses e a saudade é grande com ou sem TPM.

Para a minha alegria no fim de semana seguinte fui presenteada com uma “feijoada vegetariana” que o André pacientemente preparou para mim. Digo “feijoada” porque mesmo depois de uns bons 40 minutos no supermercado não conseguimos todos os ingredientes que uma verdadeira feijoada brasileira pede. Mas como era uma versão vegetariana já estávamos preparados para algumas concessões e soluções criativas.

O supermercado aqui perto de casa é japonês, então fomos de feijão azuki mesmo e nos demos por satisfeitos. Também conseguimos achar ali o delicioso arroz integral short grain que tanto procurávamos! Já couve, nem pensar. Substituímos por dois tipos de folhas que tinham cara de couve, mas que nem com a ajuda do google descobrimos o que eram. O jeito foi torcer para que na manteiga com bastante alho também ficassem com gosto de couve. Aí chegou a vez da farofa… Ah, a farofa… Fiquei na vontade. Nada aqui foi capaz de substituir a minha amada e saudosa farofa!  Substituir a carne foi moleza já que é um elemento que eu sempre quero ver bem longe da minha cozinha. Tofu, abóbora, cenoura e bardana! Muito melhor do que orelha de porquinho…

Enquanto o André pilotava o fogão na missão hercúlea de criar uma feijoada com essa mistura de ingredientes estranhos, eu cuidava da caipirinha. Fácil, fácil, porque o que não falta aqui em casa é cachaça brasileira! E depois de um dia entre supermercado e cozinha, voilà!, nascia uma versão oriental-veggie de feijoada!

Como não poderia deixar de ser, fomos com toda a sede do mundo ao pote e devoramos dois pratos de “feijoada” cada um, o que fez com que dedicássemos o resto do nosso sábado ao conforto do sofá e do ar condicionado. Estômago cheio, satisfeito e hormônios definitivamente acalmados.

Feijoada improvisada, caipirinha autêntica!

Feijoada improvisada, caipirinha autêntica!

Banquete! Só faltou a farofa!

Banquete! Só faltou a farofa!

E no domingo, de volta à dumplig soup!

Dumpling soup é o meu prato favorito em Cingapura e uma maravilha da culinária chinesa!

Dumpling soup é o meu prato favorito em Cingapura e uma maravilha da culinária chinesa!

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2 Respostas to “Feijoada (quase) completa!”

  1. lina de souza agosto 7, 2013 às 2:13 pm #

    E não é que ficou com “cara” de feijoada???!!!… E viva o André!!! Isso é que é dedicação! (nem que seja por interesse próprio, pra fazer vc ficar calminha…) rsrsrs…Mas me explica melhor o que vem a ser essa coisa pálida (…) chamada “dupling soup”! nhammmmm… :/

  2. Marcia Mendel agosto 7, 2013 às 11:53 pm #

    Oi amiga, que sofrimento hein! Sabe o que eu mais sentia falta quando estava fora? Requeijão e pão de queijo…., mas obviamente de tudo isso que vc falou, pão na chapa, farofa!!! Aliás, tenho notado que uma coisa que os gringos amam daqui é essa farinha seca com uns temperos que a transformam. Na minha enquete gringa culinarística, a farofa está em terceiro lugar depois da caipirinha e da agua de coco, necessariamente nessa ordem. Bjo e saudades imensas como sempre. Ah, muito obrigada pela ligação amiga, foi uma delicia ouvir sua voz outra vez, mesmo com uma ressaca daquelas, que aliás vc deve ter notado, hehe, já que eu mal balbuciava as palavras , né? Ops…rsrs

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