Arquivo | setembro, 2013

Simplificando…

27 set

Me interessei por fotografia nos tempos de faculdade quando me apossei da Pentax que meu irmão tinha jogado pra escanteio depois de mandar restaurá-la e usar meia dúzia de vezes. Me apaixonei pela bolsa velha cheirando a mofo que carregava aquela máquina pesada, alguns filtros e muita história. Foi ela que me acompanhou nas minhas primeiras aulas quando ainda se discutia os avanços e o futuro da fotografia digital. Assim como eu, todos os alunos da turma possuíam câmeras analógicas. O ano era 1999, meu primeiro na faculdade.

Passei um período brincando de montar e manusear minha própria câmera pinhole, desenvolvi projetos em slide, aprendi sobre velocidade, diafragma, ISO, enquadramento… Matei muita aula para passar a tarde enfurnada no laboratório fotográfico da “galerinha de desenho”, que era bem mais interessante do que o nosso, do curso de comunicação. Imagina se algum aspirante a publicitário ia perder tempo revelando e ampliando fotografias em preto e branco quando eles podiam gozar de um recém inaugurado laboratório de macintosh?! (Lembrem-se, estamos falando de 1999!)

O tempo passou e meu caso de amor com a fotografia seguiu como são os romances da juventude: hora intenso, hora ofuscado por alguma outra paixão fugaz. Mas entre idas e vindas, eu nunca o abandonei. Uma vez formada e atordoada com o mercado de trabalho me dei de presente um curso despretensioso pra dar aquela renovada no espírito. Mas o tempo havia passado e eu agora era a única na turma que ainda não tinha me rendido ao mundo digital. Enquanto o professor falava em “P”, “AV” e “TV”, eu seguia às voltas com o marcador do fotômetro que subia e descia no visor da minha velhinha.  Percebi que era hora de seguir em frente. Gastei meus últimos rolos de filme e guardei a Pentax na bolsa velha cheirando a mofo.

Nunca mais a vi, deve estar esquecida em algum armário na casa da minha mãe. Lá se foram mais de dez anos (voando), o mundo digital se apoderou de mim e de todos e a vida seguiu. Hoje tenho câmeras DSLR, GoPro, cartões de memória, tripés, lentes, filtros… E também ando investindo meu tempo mais em vídeos do que em fotografia, como vocês já devem ter percebido aqui pelo blog.

Porém, de alguns meses pra cá me rendi à modinha das câmeras lomos e experimentei de novo aquele velho e familiar gostinho da fotografia analógica. O resultado agora é bem mais experimental, claro, e de um rolo inteiro de filme muita coisa vai direto pro lixo. Mas muitas vezes é bom demais trocar toda a parafernália tecnológica por algumas câmeras de plástico colorido que não valem mais de 10 dólares (exceto a Diana e a Sardina, que por serem o objeto de desejo dos hipsters de plantão têm preço altamente inflacionado!).

andrelomo

 

(A tal Diana Mini inflacionada. Cá entre nós?! Prefiro as toy cameras de 10 doletas!)

Aqui em Cingapura há pelo menos duas grandes lojas voltadas exclusivamente para lomografia. Câmeras para vender, para alugar, filmes que eu imaginava em extinção, acessórios, livros, workshops e vendedores xóvens e antenados.  Paredes cobertas de fotografias coloridas e estilizadas obtidas, muito provavelmente, entre tantas outras escuras, borradas e fora de foco. Mas tentativa e erro fazem parte da diversão. Quem não tem paciência que fique com seu iphone e filtros do Instagram!

Tudo isso para dizer que hoje não teremos vídeo, não senhor!  Teremos apenas algumas fotografias granuladas, com foco duvidoso, de cores saturadas e muito charme! E a quem se interessar, recomendo a brincadeira!

E uma lembrança de como tudo começou... no carnaval!!

E uma lembrança de como tudo começou… no carnaval!!

Nasceu!

20 set

No último dia 10 completamos nove meses vividos do outro lado do mundo. Meu período de gestação que chegou ao fim, apesar de puramente simbólico (calma, mãe!), não me livrou dos dias de ansiedade, de enjôos, dos momentos de alegria extrema e também de tristeza repentina. E como meus nove meses não terminaram nas dores do parto e eu não me vejo às voltas com fraldas e mamadeiras, tenho agora tempo de sobra para refletir sobre meus quase 250 dias longe de casa.

Levei nove meses para aprender que a saudade não dói nem é constante, mas vem de repente e forte quando menos se espera – e de preferência nos horários em que o fuso não permite nenhuma comunicação com o Brasil. Aliás, posso dizer que a grande surpresa foi descobrir que nosso maior inimigo é o fuso horário e não a distância.

Nesse período, aprendi que um email inesperado, curtinho e sincero pipocando na caixa de entrada do gmail tem muito mais valor do que aquele “sumiço” de algumas pessoas queridas. Precisei de muito menos que nove meses para desistir da ideia fofa de mandar cartinhas aos amigos – a fila no correio é insuportável em qualquer lugar do mundo! Deixei de lado. Cedi à tecnologia, ao smart phone, ao whatsapp, ao gtalk e a este blog. Não, ainda não criei um perfil no Instagram.

Esses nove meses também me proporcionaram um bem raríssimo pra mim até então: tempo. Aqui tive tempo para refletir, planejar, sonhar. Tempo para não fazer nada e tempo para fazer tudo. Tempo para descobrir o que quero da vida e tempo para mudar de ideia. Na redução drástica de interlocutores (trabalhar em casa é um silêncio de doer os ouvidos) passei a elaborar e a responder minhas próprias perguntas, uma terapia saudável na maioria das vezes e insustentável em outras. Há momentos em que é melhor trocar seus próprios botões por uma cerveja gelada e fim de papo. É assim em qualquer lugar do mundo…

Aqui também vivi os meus primeiros 250 dias sem empregada doméstica desde que saí da casa dos meus pais há sete anos. Não importava o quão magras as vacas andavam, esse era um “luxo” do qual eu nunca abria mão. Aqui eu decidi mudar. Uma mudança que me ensinou muito mais do que a lavar roupa. Ao cuidar da minha própria casa, aprendi como meu lar reflete meu estado de espírito e que para ter uma casa alegre e aconchegante é preciso estar, acima de tudo, de bem com a vida. Aprendi a importância de um marido que lava e passa suas próprias roupas, faz sozinho supermercado em plena segunda-feira e, no tempo dele, arruma a própria bagunça sem que eu precise me tornar a mala da relação. Aprendi a fazer quinoa, cuscus, lentilha, mas meu arroz continua empapado. Demorei nove meses para descobrir que a máquina de secar que estava arruinando minha lingerie e muito menos para desenvolver uma paixão arrebatadora pelo aspirador de pó.

Nove meses é tempo demais para se viver sem amigos e por mais difícil que pudesse parecer no começo aos poucos fomos formando nossa tchurménha longe de casa. Um chopp aqui, outro almoço ali e me peguei sorrindo na primeira vez em que me chamaram para um jantar de domingo “em família”. Cada um de um canto diferente, com uma história diferente, mas todos com a distância e a saudade de casa em comum. Aprendi que aqui estamos todos no mesmo barco e que os laços que vão se formando vão deixar saudades na hora de voltar pra casa! Mais ainda é cedo para pensar nisso, afinal chegamos apenas na metade do caminho…

Mas tem uma coisa que não me custou nem um dia para aprender:  entre tantos erros e acertos, dúvidas, inseguranças e uma enxurrada de aprendizados, essa experiência desvairada de viver do outro lado do mundo apenas deu certo (e vai continuar dando) porque  tenho do meu lado, sorrindo sempre, um companheiro, um parceiro, um porto seguro que só não é perfeito porque tem pé chato.

Lar, doce lar...

Lar, doce lar…

Tudo é relativo

5 set

Pra quem está completando nove meses sem usar uma calça jeans por conta do calor (e do home office, claro), dois dias de chuva quase ininterruptas já podem ser chamados de inverno. O ar condicionado ganhou uma folga e dá pra quase sentir uma brisa entrando pela janela. Ela é discreta, mas mesmo tímida deu uma trégua à estufa cingapuriana e me fez lembrar com saudade que existe temperaturas abaixo dos 30 graus!

Um ar fresco que chegou para refrescar e renovar nossa vida aqui… do outro lado do mundo…

Mas, ei! Posso confessar uma coisa?! Tô com saudade do SOL!! Voltaaaaaa……

 

Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã!

Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã! Volta, tã-nã-nã!