Simplificando…

27 set

Me interessei por fotografia nos tempos de faculdade quando me apossei da Pentax que meu irmão tinha jogado pra escanteio depois de mandar restaurá-la e usar meia dúzia de vezes. Me apaixonei pela bolsa velha cheirando a mofo que carregava aquela máquina pesada, alguns filtros e muita história. Foi ela que me acompanhou nas minhas primeiras aulas quando ainda se discutia os avanços e o futuro da fotografia digital. Assim como eu, todos os alunos da turma possuíam câmeras analógicas. O ano era 1999, meu primeiro na faculdade.

Passei um período brincando de montar e manusear minha própria câmera pinhole, desenvolvi projetos em slide, aprendi sobre velocidade, diafragma, ISO, enquadramento… Matei muita aula para passar a tarde enfurnada no laboratório fotográfico da “galerinha de desenho”, que era bem mais interessante do que o nosso, do curso de comunicação. Imagina se algum aspirante a publicitário ia perder tempo revelando e ampliando fotografias em preto e branco quando eles podiam gozar de um recém inaugurado laboratório de macintosh?! (Lembrem-se, estamos falando de 1999!)

O tempo passou e meu caso de amor com a fotografia seguiu como são os romances da juventude: hora intenso, hora ofuscado por alguma outra paixão fugaz. Mas entre idas e vindas, eu nunca o abandonei. Uma vez formada e atordoada com o mercado de trabalho me dei de presente um curso despretensioso pra dar aquela renovada no espírito. Mas o tempo havia passado e eu agora era a única na turma que ainda não tinha me rendido ao mundo digital. Enquanto o professor falava em “P”, “AV” e “TV”, eu seguia às voltas com o marcador do fotômetro que subia e descia no visor da minha velhinha.  Percebi que era hora de seguir em frente. Gastei meus últimos rolos de filme e guardei a Pentax na bolsa velha cheirando a mofo.

Nunca mais a vi, deve estar esquecida em algum armário na casa da minha mãe. Lá se foram mais de dez anos (voando), o mundo digital se apoderou de mim e de todos e a vida seguiu. Hoje tenho câmeras DSLR, GoPro, cartões de memória, tripés, lentes, filtros… E também ando investindo meu tempo mais em vídeos do que em fotografia, como vocês já devem ter percebido aqui pelo blog.

Porém, de alguns meses pra cá me rendi à modinha das câmeras lomos e experimentei de novo aquele velho e familiar gostinho da fotografia analógica. O resultado agora é bem mais experimental, claro, e de um rolo inteiro de filme muita coisa vai direto pro lixo. Mas muitas vezes é bom demais trocar toda a parafernália tecnológica por algumas câmeras de plástico colorido que não valem mais de 10 dólares (exceto a Diana e a Sardina, que por serem o objeto de desejo dos hipsters de plantão têm preço altamente inflacionado!).

andrelomo

 

(A tal Diana Mini inflacionada. Cá entre nós?! Prefiro as toy cameras de 10 doletas!)

Aqui em Cingapura há pelo menos duas grandes lojas voltadas exclusivamente para lomografia. Câmeras para vender, para alugar, filmes que eu imaginava em extinção, acessórios, livros, workshops e vendedores xóvens e antenados.  Paredes cobertas de fotografias coloridas e estilizadas obtidas, muito provavelmente, entre tantas outras escuras, borradas e fora de foco. Mas tentativa e erro fazem parte da diversão. Quem não tem paciência que fique com seu iphone e filtros do Instagram!

Tudo isso para dizer que hoje não teremos vídeo, não senhor!  Teremos apenas algumas fotografias granuladas, com foco duvidoso, de cores saturadas e muito charme! E a quem se interessar, recomendo a brincadeira!

E uma lembrança de como tudo começou... no carnaval!!

E uma lembrança de como tudo começou… no carnaval!!

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7 Respostas to “Simplificando…”

  1. Marco Polo Áureo setembro 27, 2013 às 4:19 pm #

    Filha querida. Seu amor pela fotografia pode ser explicado pela genética: seu avô Zorba era um artista que, como muitos, permaneceu anônimo. Tão bom que era conhecido na região de Rio Pomba (MG) como Seu Daguerre (inventor da arte), o “retratista” e sua “empresinha” chamava-se “Foto Studio Daguerre”. Aprendeu o ofício com o seu (da Cissa, para não deixar dúvida) bisavô (pai da vovó Vanda), lá pelos idos de 1945/46. Começou trabalhando com películas sobre chapas de vidro e máquinas lambe-lambe. Corrigia, sobre a película da chapa, os defeitos das pessoas, “retocando” traços e tornando as mulheres bonitas de Rio Pomba parecidas com as divas hollywoodianas da glamourosa década de 1950. Evoluiu para máquinas analógicas (arcaicas, é claro), filmes de rolo e tripés pesados de madeira trabalhada. Atingiu o “clímax” na década de 1970, usando câmara profissional Rolleiflex e flashes “eletrônicos”, cujas lâmpadas queimavam as mãos dos descuidados, and so on and so forth. Quando sobrar tempo, pesquise sobre os belos trabalhos que ele deixou. Você vai se surpreender com uma bela história, que precisa ser resgatada. Capice? We love you!…

    • cissaferreira outubro 1, 2013 às 10:58 am #

      Pois é tá no sangue!! Espero que Seu Daguerre esteja orgulhoso da neta dele! Começa a resgatar esse material antes que se perca por aí…

  2. Marcia Mendel outubro 4, 2013 às 10:10 pm #

    Amei amiga! Queria muito ter esse dom…mas que bom que uma amiga tão queria o tem e pode usar sua arte com a gente! bjos e saudades sempre

  3. lina de souza outubro 26, 2013 às 4:52 pm #

    Sobre a bolsa velha-cheirando-a mofo-que-era-do-vovô-João… tá no armário da mamãe, sim… 😉

  4. no caminho do norte outubro 28, 2013 às 11:18 am #

    Profissa. Procissa.

  5. ira novembro 19, 2013 às 2:11 pm #

    Amigaaaa, q desatualizada eu!! Minha fotógrafa favorita desde sempre!!
    Mt orgulho e admiração!! ❤
    Bjos bjos bjos

  6. ira novembro 19, 2013 às 2:12 pm #

    Ah!! Essas fotinhos que vc escolheu pra ilustrar o post estão demais, com o jeitinho de vcs!!

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