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cissa.em.chinatown

7 jun

Não ligo pra cronologia. Muito pelo contrário. Adoro filmes que começam pelo fim, de preferência com a morte do mocinho. E antes de iniciar um novo um livro leio sempre último parágrafo. Então, não vai ser aqui no meu blog que vou me preocupar com a ordem dos acontecimentos, certo?

O vídeo de hoje retrata uma noite que aconteceu há muito tempo numa galáxia distante. Havíamos chegado há poucas semanas em Cingapura e bater perna pela Chinatown ainda era uma novidade. Mas de fato essa noite foi diferente e não vimos mais o lugar tão cheio e animado desde então, já que estávamos na véspera do Ano Novo Chinês. E, pra nossa sorte, o maior feriado daqui coincidiu justamente como o nosso primeiro carnaval longe do Rio, lembram? Contei tudo isso aqui.

Como promessa e dívida, finalmente arrumei um tempo para editar o material das gravações daquela noite. Reparem: verão bombando, todo mundo suado, aquela falta de glamour de sempre! E pra quem anda reclamando que os vídeos estão muito curtos (viu, Marcinha? viu, mãe?), adivinhem só?! Pois é, continuam curtinhos, curtinhos…

 

…e a serpentina virou serpente!

16 fev

Esse ano não teve carnaval. Nada de confete, serpentina, marchinha. A quarta-feira de cinzas chegou e no armário não havia fantasias, no chão do quarto nem sinal da purpurina e a ressaca então, não chegou nem perto. O sono estava em dia, o corpo não doía e as unhas do pé continuavam limpinhas. Pois é, esse ano não teve carnaval…

Foi difícil sentir a folia se aproximar à distância sem escutar o som do surdo, dos tamborins, dos trompetes. Não acordar com as galinhas pra subir as ladeiras de Santa Teresa. Não ter a companhia daqueles poucos amigos que, assim como eu, permanecem fiéis ao carnaval e muito menos reencontrar aqueles outros que só aparecem nessa época do ano, perdidos nos blocos. Nada de mamãe eu quero, alalaô e nem apito do índio. Esse ano o Carnaval não abriu alas pra gente passar.

E como um casal tão carnavalesco como o a gente faz para sobreviver a mais um ano sem botar o bloco na rua? Oras, o que mais a gente gosta de fazer tanto quanto pular carnaval? A opção número um foi censurada. Viajar, é claaaaro! Afinal, estamos no coração da Ásia e, para noooossa alegria, o feriado mais aguardado do ano coincidiu com o maior holiday de Cingapura: o Chinese New Year. E se aí no Brasil o ano só engrenar depois do carnaval já virou piada e cara-de-pau, por aqui segue a mais pura lógica que o ano só comece depois… do ano novo! E então, começa o ano lunar chinês, o ano da Serpente!

E foi assim que ganhamos também um feriadão pra chamar de nosso! Bastava escolher o destino, comprar as passagens e, pimba!, nos mandar pra bem longe do facebook, que àquela altura já estava irritando com tantas fotos e posts sobre como é divertido o pré-carnaval carioca. Blééééé! Não foi surpresa descobrir que as passagens estavam caríssimas e que teríamos que escolher rotas mais baratas alternativas. Resumindo dias e dias de pesquisas na internet, descolamos passagens baratééérrimas para a desconhecida Padang. Pela bagatela oferecida, já era de se imaginar que essa cidade a oeste de Sumatra, na Indonésia, não era o destino mais procurado por turistas. E essa era a grande graça da coisa.

Sexta-feira pré-carnaval, digo, pré ano novo chinês, já estávamos de folga curtindo o clima de festa em Cingapura. Antes de botar o pé na estrada, ainda deu tempo de tomar uma saideira numa Chinatown fervilhando de gente – chineses e turistas – às vésperas da grande noite. Sábado embarcamos pra Padang.

Andando pelas ruas da cidade, dava pra entender o motivo das passagens tão baratas.  O lugar já viu dias melhores, possuía um charmoso distrito colonial que eu só conheci através da internet. Em 2009, um terremoto devastou a cidade, que até hoje não se recuperou. De atração turística, acredito que só sobrou um museu, que nem chegamos a visitar. O plano era seguir caminho para as montanhas até a pitoresca Bukittinggi, a duas horas de van de Padang – distância que o trânsito louco e os motoristas mais loucos ainda faziam aumentar consideravelmente.

Bukittinggi é uma cidade muito turística: qualquer gringo que apareça por lá se torna imediatamente uma grande atração! Tudum-tum-tsss! (piadinha do André, viu?) Mas acreditem, amigos, se não bastassem todos os indivíduos na rua nos cumprimentando (eita povo simpático!), fomos abordados para tirar foto ao lado de uma menininha liiiinda dentro de um supermercado. Mas flashes e holofotes a parte a cidade é mesmo bonitinha com seu mercadão a céu aberto e feira na praça reunindo famílias, vendedores e barraquinhas para uma típica tarde de domingo. Isso tudo sem cruzar com um único grinnngou além de nós.  Ponto para Bukittinggi.

Descendo 44 curvas estrada abaixo (numeradas por placas pra não restarem dúvidas) chega-se no lago Maninjau formado a partir de uma cratera vulcânica e cercado de pequenos vilarejos dedicados à criação de peixes e à plantação de arroz. Para percorrer os 40km de extensão do lago por uma estradinha de mão dupla esburacada, recortada por pontes de troncos de madeira e cercada de casinhas e plantações, recorremos a uma scooter alugada do dono da pousada. Assim, expostos na garupa de uma moto, invadimos a vida calma das montanhas e fomos saudados pelos locais com acenos, sorrisos (uns tímidos, outros nem tanto) e até com alguns “hello how are you what’s your name?” (assim seguidinho como as crianças devem estar aprendendo nas lições da escola). E pra fechar o dia, um peixinho, uma cerveja gelada e um papo divertido com o dono do restaurante, logo ali na beira do lago e de frente para o por do sol.

Não, essa ano, definitivamente, não tivemos carnaval. Trocamos a serpentina pela serpente, quatro dias de festa por um ano chinês inteirinho pra fazer muitas folias como essa que fizemos na Indonésia. Quanto riso, quanta alegria!

Nossa motoca passa por escolinha às margens do lago Maninjau.

Nossa motoca passa por escolinha às margens do lago Maninjau.